segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Hoje gostava de vos falar de intrusos. Porque a vida neste planeta mais parece um filme de ficção científica, de tal maneira somos invadidos a toda a hora.

Da minha janela observo a mulher que todas as noites invade o monte de lixo, quase na hora da recolha efectuada pelos funcionários do município e retira de lá as mais variadas coisas. Vem carregada de sacos e invade a minha janela e o meu cigarro, o que por sua vez provoca uma invasão da minha mãe à minha memória, a dar-me um sermão por eu fumar. Cheia de remorsos e a pedir desculpa aos pulmões, vou para o “facebook” tentar encontrar coisas parvas para me distraír. Quem é o intruso aqui? Neste caso são dois, eu que me intrometo nos murais alheios e os tipos que atiram com com links cheios de vírus e publicações que já me enganaram, vocês sabem, quando eu era mais nova e não sabia nada da vida. Decido meditar antes de dormir o que nem chega a acontecer, pois caio redonda MESMO no meio do azul escuro do sono! Desta vez os intrusos atacam os meus sonhos e nem sempre são amáveis e fofinhos...

Acordo e saio para apanhar o metro. Sinto que o anonimato da grande cidade é muito saboroso! Eis senão quando surgem os rostos conhecidos e a publicidade do costume, eu a sentir-me invadida por eles e pela ideia de que preciso de um psiquiatra que me ajude, afinal só te invadem se tu deixares... mas tenho consciência de que algo em mim avariou permanentemente e o médico vai desistir de me tratar. Procuro ignorar o pessoal do escritório que sabe SEMPRE onde estou! Podia falar-vos de como me sinto invadida por produtos tóxicos transportados nas bebidas e comidas, mas não quero que me internem já, por isso adiante!

Quando termino o trabalho, respiro o ar invadido por cheiros que chegam de todos os cantos e tento decifrá-los. E o que mais me impressiona é o do chocolate que vem ali da esquina e que sigo como um cão! Peço um dos grandes e a senhora que mo vende e é muito amável, estabelece um diálogo mais comprido comigo do que seria de esperar. Refere a sorte que tenho por ser magra e eu sinto uma intrusa na minha pele em vez do elogio. Sento-me a tomar o MEU chocolate. Observo uma formiga que invade o pequeno açucareiro e tento perceber onde estão as suas irmãs. Saio a pensar na organização perfeita dos formigueiros e regresso a casa, onde tento não me intrometer na conversa do meu filho, plantado em frente ao computador e cujo telefone não pára. Esta tecnologia, definitivamente intrometida na intimidade das casas adia as conversas e os risos...

Vou tomar um banho. E agora são os teus olhos que se intrometem nos meus, a tua língua (abençoada) que se intromete na minha boca. O que eu esperei para te beijar!

Neste ponto não deixo que se intrometam, por isso já me calei.





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